Review: Armada - Bandeira Negra


Recentemente, a Hearts Bleed Blue me enviou o Bandeira Negra, disco de estreia do Armada. Eles surgiram das cinzas de uma das bandas que admiro muito na cena punk brasileira: o Blind Pigs. Inclusive, no momento em que escrevo esse review, estou com uma camiseta deles. E sinceramente, estava bem ansioso por esse trabalho.

Bom, as comparações entre o “finado” grupo e atual é algo previsível. Em algumas faixas é possível encontrar a sonoridade street punk e temáticas comuns do gênero. É o caso da faixa de abertura Semper Adversus e dos singles Eterno Marujo e Bandeira Negra. Assim como a ácida Desperdício de Milagre e na “aula de história” Índios Corsários.

Levantar âncora! Deixar para trás! 

Mas aqui vou falar dos pontos que me surpreenderam ao invés de ficar fazendo comparações. Feita por Henrike Baliu para a esposa, a letra de Lisboa é uma das minhas favoritas. Uma canção bem verdadeira com uma melodia empolgante que narra o relacionamento deles. Ou seja, uma música realmente do casal e de ninguém mais.

E você já pensou em uma versão punk rock de Bezerra da Silva? Esse disco tem. Cobra Criada traz o jeito “malandro de coturno” e ainda conta com a participação de Kiko Zambiachi. E ficou realmente interessante essa “cover” inusitada quase no final do disco.


Próxima Estação foi uma canção que me tocou muito. No estilo Johnny Cash e com a participação de Sérgio Reis, ela saiu no mesmo dia do enterro do meu pai em novembro. O refrão “Nossa força vem daqueles que nos ensinaram e não estão mais entre nós” foi bastante confortante naquele dia. E certamente era uma música que eu mostraria para ele.

E perder um amigo não é fácil e isso fica claro em Punk da Pedreira. A faixa é um tributo a Fabiano Andrade, guitarrista do Blind Pigs que faleceu em 2015. E na voz de Henrique percebemos a tristeza e a falta que o músico faz para todos que conviveram com ele.

Clash (e muito mais) na caixa de som 

De todas as letras, a minha favorita é Comandos em Ação. Tem um ar nostálgico ao falar do cotidiano de um garoto punk e suas reflexões ao se tornar adulto. Sempre que escuto essa música, imagino um clipe que acompanha a narrativa da letra. Por favor, pessoal do Armada: façam isso. Sério, essa faixa merece.

Bandeira Negra foi um disco que realmente me conquistou. Quando saiu no Spotify, ouvi três vezes em seguida. Ele me lembra muito a mistura que o The Clash fazia em seus trabalhos. Tem punk rock, tem country americano, tem folk e tem influência do samba. E isso é incrível, pois é cantado em português para ficar fácil de entender a mensagem.


Artes 

Ao longo do review, estão algumas fotos do encarte do Bandeira Negra. A arte foi feita pelo Paulo Rocker, ex-Gramofocas. Ela tem toda uma temática naval e complementa bem o conceito do disco. O timão que estampa o CD e o farol dentro do digipack são alguns dos desenhos incríveis. Assim como toda a diagramação do encarte. Por coisas assim que ainda coleciono discos.

Confira mais algumas imagens e clique para ampliar:







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